DIÁSPORA SANTOMENSE

Antes e depois da Independência

Antes da Independência (até 1975)

Antes da independência nacional, a emigração santomense apresentava uma dimensão reduzida e estava fortemente condicionada pelo contexto colonial. Os fluxos migratórios eram limitados e direcionados sobretudo para territórios sob administração portuguesa e países da região, assumindo um caráter funcional, administrativo e político.

Após a Independência (desde 1975)

Após a independência, a emigração santomense conheceu uma expansão significativa, tornando-se um fenómeno estrutural da sociedade. A mobilidade passou a ser motivada por fatores económicos, educativos e profissionais, dando origem a comunidades numerosas e diversificadas no exterior.

Mapeamento da diáspora de São Tomé e Príncipe

Dona Simoa Godinho
(1530-1594) – Primeiro membro da diáspora de STP

Dona Simoa Godinho é considerada a primeira emigrante de São Tomé e Príncipe em Portugal. Nascida em SãoTomé, descendente de portugueses e de naturais da ilha, foi grande proprietária agrícola e negociante de açúcar, vindo a falecer em Lisboa, onde ficou conhecida como benemérita da Misericórdia e edificadora da capela do Espírito Santo, na respetiva igreja, da autoria de Jerónimo de Ruão.

 

Negra, segundo as fontes que a referem, herdou dos avós e dos pais uma considerável fortuna constituída por duas grandes fazendas dedicadas, como as demais, à cultura açucareira com recurso a mão-de-obra escrava, a do Rio do Ouro e a de São Bento. Veio a casar com Luís de Almeida, escudeiro fidalgo da casa do rei, sobrinho de Baltasar de Almeida, feitor do trato dos escravos na ilha.

 

O marido, que já era dono da fazenda do Rio do Lagarto, comprou em 1565 o senhorio e a capitania da ilha de Ano Bom. Em 1570 foi-lhe atribuída em sesmaria uma grande extensão de terra contígua à sua fazenda, para serventia desta na produção de açúcar. O casal comprou ainda outra fazenda a um proprietário local.

Os primeiros naturais de São Tomé e Príncipe em Portugal - Bairro Mocambo (século XVI)

Os primeiros naturais de São Tomé e Príncipe em Portugal eram escravos fugidos ou libertados na região de Lisboa;

Viviam no Bairro Mocambo ou Kilombo;

Bairro criado por alvará régio de 1593;

O Bairro Mocambo, como representado no mapa, compreendia as atuais freguesias de Santos-o-Velho, Santa Catarina, S. Paulo, N. Sª. do Loreto e Chagas.

Ilustres da Diáspora de São Tomé e Príncipe

Ayres de Menezes
Médico (1889–1946)

Figura de referência na área da saúde, com percurso académico e profissional desenvolvido em Portugal.

Caetano da Costa Alegre
Poeta (1864–1890)

Um dos primeiros poetas são-tomenses, reconhecido pela sua produção literária e sensibilidade social.

Salustino da Graça
Eng. Agrónomo (1892–1965)

Contribuiu para o conhecimento científico e técnico ligado à agricultura e ao desenvolvimento rural.

Maria Manuela Margarido
Poetisa (1925–2007)

Voz marcante da literatura são-tomense, com obra reconhecida no espaço lusófono.

Marcelo da Veiga
Poeta (1893–1976)

Figura relevante da poesia e do pensamento cultural santomense.

Alda Espírito Santo
Poetisa (1926–2010)

Figura central da cultura e da identidade nacional são-tomense, com contributo relevante na literatura, educação.

Francisco José Tenreiro
Geógrafo (1921–1963)

Intelectual de referência do pensamento africano de expressão portuguesa.

Manuel Pinto da Costa
Político (1937–)

Figura histórica da vida política são-tomense, com percurso académico e político desenvolvido no exterior.